O contrato de trust como ferramenta de gestão patrimonial

Àqueles que buscam uma maneira de preservar seu patrimônio, protegendo

seus bens contra possíveis práticas de má administração, vale muito a pena conhecer

sobre a figura do trust, um contrato de fidúcia muito utilizado em países como os

Estados Unidos e o Reino Unido.


Em tradução literal, trust significa “confiança”, o que nos ajuda a

compreender um pouco os fundamentos do instituto aqui estudado.


O trust, ou contrato de fidúcia, funciona basicamente da seguinte maneira: o

proprietário dos bens a serem administrados (settlor/fiduciante) transfere a

propriedade fiduciária a um intermediário (trustee/fiduciário), que irá administrar os

bens em favor de um beneficiário – que pode ser um terceiro ou o próprio fiduciante,

que receberá os frutos, os benefícios advindos da administração do patrimônio

afetado.


Portanto, no tempo previsto contratualmente, o fiduciário (pessoa que ficará

incumbida de administrar o patrimônio) terá a propriedade legal dos bens em

benefício de terceiros, os beneficiários.


Contudo, o que é verdadeiramente interessante sobre o trust é que o

patrimônio afetado, ou seja, o patrimônio transferido ao fiduciário por meio do

contrato de fidúcia, fica totalmente protegido, evitando que problemas judiciais

atinjam a propriedade.


Isso significa que, mesmo que o fiduciário caia em insolvência, os bens

afetados no contrato não poderão ser atingidos por eventual penhora, por exemplo.

Assim, existe uma clara separação entre o patrimônio pessoal do fiduciário e o

patrimônio afetado por meio do trust, não podendo esse ser objeto de processos de

recuperação judicial ou falência daquele.


Nos Estados Unidos, o trust é mais comumente utilizado como modalidade de

planejamento familiar sucessório, em que passa a operar como um testamento, a fim

de que os bens da herança sejam destinados a uma correta administração, evitando-se

a perda de um patrimônio construído no decorrer de muitos anos.


Já no Brasil, atualmente, tramita na Câmara dos Deputados o Projeto de Lei

4.758/20, de autoria do deputado Enrico Misasi (PV-SP), que prevê a regulamentação

do contrato de fidúcia no país.


O contrato de fidúcia deverá prever os direitos e deveres das partes, que

poderão ser pessoas físicas ou jurídicas, respeitando-se as previsões legais. Assim, a

fidúcia, se aprovada, legitimará o fiduciário para o exercício de todas as ações

atinentes à defesa dos bens e direitos objeto do contrato.


Assim, muito embora ainda não haja regulamentação legal deste instituto no

Brasil, o contrato de trust mostra ser uma ferramenta bastante interessante de gestão

patrimonial, por meio da qual a administração de ativos é conferida a um

administrador especializado, para que possa exercer eficientemente a administração e

gestão de ativos de terceiros.


Bianca Frank Trevizan, Advogada, graduada em direito, pela Universidade Estadual de

Londrina (UEL) (2018), inscrita na Ordem dos Advogados do Brasil, Seção São Paulo

(OAB/SP) (2020). Pós-graduanda em Direito Processual Civil pela Faculdade Damásio

de Jesus, autora de artigos. Advogada no TM Associados.

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